Baú de Ossos

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Baú de Ossos

Baú de Ossos

Para Pedro Nava
O que abre a noite é um silêncio abissal
esperanças novas de um corpo soturno
um canal de lembranças de um dia solar.
O que encerra um dia é uma certeza moral
de um corpo alquebrado, lavado de sol
esquecido na noite de um dia feliz.
O que encerra a vida é saber-se fadado;
ao dia, à noite, às certezas morais
que se escondem nas casas, nos quintais
[ fechados].
No baú-de-ossos de um homem qualquer.

O NAUFRÁGIO DO NAVIO PRESIDENTE VARGAS

O navio afunda.

Mas quem emerge das águas são as mulheres do Marajó, os pescadores, as lendas, os encantados, a solidão amazônica e um Brasil que raramente aparece nos jornais, nos romances ou nos debates nacionais.

É exatamente isso que acontece durante a leitura de O Naufrágio do Navio Presidente Vargas, de Rosieli Mendes Cruz.

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O espelho do presente

Enquanto lia Os Dias que Foram e os que Ainda Não Vieram, de Roberta Cavalcanti, uma imagem me acompanhava silenciosamente: a de um espelho. Um espelho é um objeto curioso — ele nunca nos permite olhar para o passado nem para o futuro. Diante dele, só existe o instante que acontece agora. O reflexo não guarda memória nem faz promessas. Ele apenas devolve o presente.

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