Durante a rajada de vento vejo o que surge
no espelho da penteadeira à minha frente:
no espelho eu sou apenas o que sobrou de um náufrago no istmo de Wu,
istmo que fica na parte setentrional da Villa Marítima de Narayama.
Só vejo o que surge muito perto de mim:
por exemplo, sobre a pianola,
flagro o verme surdo que decompõe a tristíssima sonata
impressa numa partitura do século 18.
Porque a rajada de vento abriu as venezianas do quarto de dormir,
o espelho da penteadeira imita a rajada de vento.

ARMINDA:um rio caudaloso de emoções
Arminda: a mulher que lava, ama, perde — e se levanta Por Marisa Sevilha

