AFOGADO fragmentos nos olhos

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AFOGADO fragmentos nos olhos

“a ciência descobriu as
geografias do mundo,
menos a cura para solidão.”

sempre sofri,
por mais que o mar esteja transbordando
em mim
sempre haverá um vazio:
como um carma,
uma praga,
uma chaga infinita no absurdo.

nas minhas visões fragmentadas
desconheço as geografias dos homens e das mulheres que
transpassam por mim
nesses tormentos,
nesses conflitos com um eu que também desconheço,
sigo adiante,
mesmo sem saber se o sol me queimará.
tenho pele ultrafina e sentimentos intensos que esvaem por toda
parte do meu corpo.

O NAUFRÁGIO DO NAVIO PRESIDENTE VARGAS

O navio afunda.

Mas quem emerge das águas são as mulheres do Marajó, os pescadores, as lendas, os encantados, a solidão amazônica e um Brasil que raramente aparece nos jornais, nos romances ou nos debates nacionais.

É exatamente isso que acontece durante a leitura de O Naufrágio do Navio Presidente Vargas, de Rosieli Mendes Cruz.

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O espelho do presente

Enquanto lia Os Dias que Foram e os que Ainda Não Vieram, de Roberta Cavalcanti, uma imagem me acompanhava silenciosamente: a de um espelho. Um espelho é um objeto curioso — ele nunca nos permite olhar para o passado nem para o futuro. Diante dele, só existe o instante que acontece agora. O reflexo não guarda memória nem faz promessas. Ele apenas devolve o presente.

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