As àguas revoltas da vida…

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As àguas revoltas da vida…

As àguas revoltas da vida

me envolveram em seu torvelinho denso

de troncos e raízes arrastados

pelas mãos descarnadas do tempo.

— esse sádico maestro de sonhos

que teima em descosturar as malhas da ilusão

entretecidas, sempre, ao cair da tarde

na longa espera, à porta da casa.

Ajoelhada em volta do fogo

fico à espreita das labaredas,

que vêm lamber as brasas.

Os cabelos emaranhados da noite.

Os lençóis desmanchados em suor e sangue.

A desdita do trabalho em vão.

As pérolas e seus colares atados de nós.

O nascente e o poente

que não mais querem brincar de esconde-esconde

no desorizonte.

As rugas dependuradas na face.

O olhar de peixe morto.

Um bater de asas.

Portas e janelas da casa.

Fechadas.

Marisa Sevilha Rodrigues

O NAUFRÁGIO DO NAVIO PRESIDENTE VARGAS

O navio afunda.

Mas quem emerge das águas são as mulheres do Marajó, os pescadores, as lendas, os encantados, a solidão amazônica e um Brasil que raramente aparece nos jornais, nos romances ou nos debates nacionais.

É exatamente isso que acontece durante a leitura de O Naufrágio do Navio Presidente Vargas, de Rosieli Mendes Cruz.

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O espelho do presente

Enquanto lia Os Dias que Foram e os que Ainda Não Vieram, de Roberta Cavalcanti, uma imagem me acompanhava silenciosamente: a de um espelho. Um espelho é um objeto curioso — ele nunca nos permite olhar para o passado nem para o futuro. Diante dele, só existe o instante que acontece agora. O reflexo não guarda memória nem faz promessas. Ele apenas devolve o presente.

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O que acharam do livro

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