Ouça o silêncio sem fantasias.
É tudo um mistério,
parece impossível a misericórdia
diante de tanta miséria,
diante de nossa entrópica sina.
O leão ruge em nossa mente
verdadeiros inimigos,
num quando de liberdade escravizada
por emoções atrofiadas.
Cegos distantes da intuição,
Caminhamos,
enquanto o medo, nosso pai,
impõe-nos limites.
Bons encontros, buscamos,
repudiando o diferente,
doentes do coração
como dragões reinando em morta existência.
Longe do fogo.
Então, por que me urges?
Que tudo passe sem que eu venha
apreciar os teus afrescos,
se não puderes me ofertar
as chaves de teus secretos recônditos.

O NAUFRÁGIO DO NAVIO PRESIDENTE VARGAS
O navio afunda.
Mas quem emerge das águas são as mulheres do Marajó, os pescadores, as lendas, os encantados, a solidão amazônica e um Brasil que raramente aparece nos jornais, nos romances ou nos debates nacionais.
É exatamente isso que acontece durante a leitura de O Naufrágio do Navio Presidente Vargas, de Rosieli Mendes Cruz.

