Como dragões com medo

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Como dragões com medo

Ouça o silêncio sem fantasias.
É tudo um mistério,
parece impossível a misericórdia
diante de tanta miséria,
diante de nossa entrópica sina.
O leão ruge em nossa mente
verdadeiros inimigos,
num quando de liberdade escravizada
por emoções atrofiadas.
Cegos distantes da intuição,
Caminhamos,
enquanto o medo, nosso pai,
impõe-nos limites.
Bons encontros, buscamos,
repudiando o diferente,
doentes do coração
como dragões reinando em morta existência.
Longe do fogo.
Então, por que me urges?
Que tudo passe sem que eu venha
apreciar os teus afrescos,
se não puderes me ofertar
as chaves de teus secretos recônditos.

O NAUFRÁGIO DO NAVIO PRESIDENTE VARGAS

O navio afunda.

Mas quem emerge das águas são as mulheres do Marajó, os pescadores, as lendas, os encantados, a solidão amazônica e um Brasil que raramente aparece nos jornais, nos romances ou nos debates nacionais.

É exatamente isso que acontece durante a leitura de O Naufrágio do Navio Presidente Vargas, de Rosieli Mendes Cruz.

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O espelho do presente

Enquanto lia Os Dias que Foram e os que Ainda Não Vieram, de Roberta Cavalcanti, uma imagem me acompanhava silenciosamente: a de um espelho. Um espelho é um objeto curioso — ele nunca nos permite olhar para o passado nem para o futuro. Diante dele, só existe o instante que acontece agora. O reflexo não guarda memória nem faz promessas. Ele apenas devolve o presente.

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