Fim do primeiro dia do resto da minha vida.

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Fim do primeiro dia do resto da minha vida.

Volto a ouvir música, penso nas dívidas, nas pendências.
Penso nos joelhos que guardam todos os tombos, todas as vezes que envergaram.
E envergaram!
Nossa!
Assim envergada, a coluna.
Alquebrada, muitas vezes (incontáveis), perdi a pose, o bonde, a hora.
Quantas vezes!
Perdi a lágrima na enxurrada, a saliva nas marés, o brilho dos olhos, quando desci do mundo da lua.
Deixei, entre lençóis enodoados, uma vida que eu sonhava só.
Sob o travesseiro, bilhetes que não mandei.
Entre as coxas, o desejo que amarrei, magoei, afoguei no sexo mal feito, estridente, nauseante.
Outro que não realizei, dolorido, machucado, envolto em solidão, um nó, um pedaço rasgado ao todo.
Entre os braços, o amor que não nasceu, que não vingou.
E o que veio sem pedir licença, quebrou minhas pernas, arrastou sonhos, rasgou as saias, secou as águas e não fica, não parte, não respira.
Tenho mãos feito palomas, deitando a poesia inútil, nunca decifrada, amarelecida, farta dos voos que acontecem sem consentimento, geração espontânea do vício.
Inútil.
Esvaziada poesia.
Curta, pouca, mínima.
Poeta mínima, olho na direção do segundo dia, que não nasceu ainda.
Não quero fechar os olhos.
Quero ver chegar um dia límpido, honesto, ridiculamente humano.
Mínimo, como eu, sem precisão de grandeza, que olhe apenas para a pequenez, para as flores mais rasteiras, para o que sobra das ondas, depois de quebradas.

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