Fruto duma boa noite
de amor e gemido.
Criado por meus pais
entre o mar e o paralelepípedo.
Tenho certeza
— Não pedi
E mesmo que o houvesse feito
não preciso concordar com o que encontrei.
Fruto duma boa noite
de amor e gemido.
Criado por meus pais
entre o mar e o paralelepípedo.
Tenho certeza
— Não pedi

O navio afunda.
Mas quem emerge das águas são as mulheres do Marajó, os pescadores, as lendas, os encantados, a solidão amazônica e um Brasil que raramente aparece nos jornais, nos romances ou nos debates nacionais.
É exatamente isso que acontece durante a leitura de O Naufrágio do Navio Presidente Vargas, de Rosieli Mendes Cruz.

Arminda: a mulher que lava, ama, perde — e se levanta Por Marisa Sevilha

Enquanto lia Os Dias que Foram e os que Ainda Não Vieram, de Roberta Cavalcanti, uma imagem me acompanhava silenciosamente: a de um espelho. Um espelho é um objeto curioso — ele nunca nos permite olhar para o passado nem para o futuro. Diante dele, só existe o instante que acontece agora. O reflexo não guarda memória nem faz promessas. Ele apenas devolve o presente.