nêsperas verdes

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nêsperas verdes

em gravidades
raízes minerais da casa
se afundam em uma alma de granito
buscam o coração do leito argiloso
a casa adquire
conotações vegetais e fractais
de crescimento áureo
matemática de ouvidos sonoros
de esferas
e música pitagórica
as estrelas se derramam
sobre o quintal sem luz
de interruptores fechados
e nêsperas verdes
as crianças no escuro
escondidos em olhos algozes
com asas de corvos agourentos
as feridas cobertas com as penas rotas
de ave jovem
renovadas em tombos breves
joelhos arruinados penitentes
e cotovelos cascudos
:
no calor das tardes de verão
a luz que agredia os olhos
era a grandiloquência de deus
em nossos corações
e braços abertos no vento
mas tudo tem seu fim

Edson Bueno de Camargo

O NAUFRÁGIO DO NAVIO PRESIDENTE VARGAS

O navio afunda.

Mas quem emerge das águas são as mulheres do Marajó, os pescadores, as lendas, os encantados, a solidão amazônica e um Brasil que raramente aparece nos jornais, nos romances ou nos debates nacionais.

É exatamente isso que acontece durante a leitura de O Naufrágio do Navio Presidente Vargas, de Rosieli Mendes Cruz.

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O espelho do presente

Enquanto lia Os Dias que Foram e os que Ainda Não Vieram, de Roberta Cavalcanti, uma imagem me acompanhava silenciosamente: a de um espelho. Um espelho é um objeto curioso — ele nunca nos permite olhar para o passado nem para o futuro. Diante dele, só existe o instante que acontece agora. O reflexo não guarda memória nem faz promessas. Ele apenas devolve o presente.

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