NOTURNO DE CHOPIN PARA ÍSIS

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NOTURNO DE CHOPIN PARA ÍSIS

Nadava nua na piscina gelada, acima da lua, embaixo dos peixes,
entre o antes e o depois. O tudo e o agora, um fim em si mesmo.
Uma consternação no peito em flor.
Uma dor. De cotovelo. Um amor quase perfeito. Mais que perfeito.
Um passado. Um presente em transe. Um ser que nada, vira sereia.
Encanta os mares e os navegantes.
Despenteia a cabeleira de santa. Em trânsito.
O último minuto do passado, mais que presente.
O gozo. O vômito da flor do sal. A cobra que se enrola
que ri e mostra os dentes aos viageiros. Aos cães vadios.
Um noturno quase Chopin. Um breve lá. Um cio.
Um doce beijo – cálido – na fronte da mãe morta.
Da lapela murcha do paletó, cai a flor branca.
O ombro do pai estreito.
A cabeça da filha não cabe mais no seu abraço.
Um desgosto. Um agosto. Um agouro.
Os braços do mouro não cingem mais a cintura fina.
Quase um sino. Um violão. Perfeita.
Sinos de vento brandem ao léu. Leque de papel.
Um quepe. O riso do navegante torto.
O mosqueteiro e seu cavalo manco.
Um rabo de lua minguante. O galo gago, mas triunfante.
A ira diabólica dos demônios em noite de quinta-feira. Quiçá santa.
Satânica, despe-se para a lua e sai da água.
Bêbada, a deusa Ísis ensaia um balé falso,
desritmado e errante.

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