O caso da atriz Giovanna Ewbank não é único. Entenda o racismo pela literatura

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O caso da atriz Giovanna Ewbank não é único. Entenda o racismo pela literatura

Para contribuir no debate sobre racismo, destacamos escritores que têm obras ligadas ao assunto, como Angela Davis, Sueli Carneiro e Jeferson Tenório

A filósofa, escritora e ativista norte-americana Angela Davis Foto: Boitempo

O Brasil foi a última nação no mundo a eliminar a escravidão. Mas mesmo com a abolição, em 1888, nenhum direito foi garantido aos negros, que ficaram sem acesso à terra e sem receber qualquer tipo de indenização ou reparo por quase quatro séculos de trabalho forçado.

O racismo no Brasil é um problema estrutural e institucional que impacta nossa sociedade. Atualmente, a Lei 7716 do Código Penal tipifica o racismo como crime qualquer discriminação ou preconceito, como de cor, raça e religião. Mas ainda há muito que se fazer e para isso é preciso entender melhor a temática.

Abaixo, seguem autores e obras que podem lhe ajudar nessa tarefa.

Lélia Gonzalez, escritora professora, filósofa e antropóloga brasileira Foto: Cezar Loureiro / Reprodução

Não há como entender o racismo no País sem ler Lélia Gonzalez, que sem dúvida é uma das mais importantes intelectuais brasileiras do século 20. A historiadora, antropóloga e socióloga brasileira, que, na década de 1970, foi professora da PUC-Rio e da Universidade Gama Filho, trouxe para o meio acadêmico uma nova forma de encarar a presença do negro nos estudos acadêmicos. Lélia tem uma obra extensa e até hoje é uma das maiores referências no tema para intelectuais no Brasil e no mundo.  

Por um feminismo afro-latino-americano 

A escritora Sueli Carneiro Foto: Leda Abuhab/ Estadão

A filósofa e educadora Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, dedicou sua vida ao combate ao racismo e sexismo. Autora de mais de 150 artigos e 17 livros, Sueli tem inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio de Direitos Humanos da República Francesa em 1998.

Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil

A escritora Djamila Ribeiro Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

A escritora, professora e filósofa santista é uma das principais vozes antirracistas da atualidade. Djamila é colunista do jornal Folha de S.Paulo e coordena a coleção Feminismos Plurais. Seus livros Pequeno manual antirracista, O que é lugar de fala e Quem tem medo do feminismo negro? se tornaram best-sellers vendendo mais de 500 mil exemplares.

Pequeno manual antirracista

Abdias do Nascimento, poeta, escritor, dramaturgo, artista plástico e ativista dos direitos civis Foto: Alaor Filho/ Estadão

Ator, poeta, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos humanos, Abdias Nascimento descontrói o conceito de “democracia racial”  no Brasil, apesar de alguns ainda insistirem nessa ideia. Após sua morte, Nascimento segue como referência sobre a condição social e cultural do negro brasileiro.

O genocídio do negro brasileiro

A escritora Cida Bento Foto: Reprodução Instagram

Cida foi eleita em 2015 pela revista britânica The Economist uma das cinquenta pessoas mais influentes do mundo no campo da diversidade.  A autora denuncia e questiona a universalidade da branquitude e suas consequências nocivas para qualquer alteração substantiva na hierarquia das relações sociais.

O Pacto da Branquitude

Angela Davis, filósofa, escritora, professora e ativista estadunidense Foto: Andi Rice/ The Washington Post

A ativista, filósofa e escritora americana Angela Davis é um ícone da luta pelos direitos civis. Angela se  tornou conhecida internacionalmente por seu papel nas décadas de 60 e 70 junto aos Panteras Negras nos Estados Unidos. Autora de mais de 10 livros, a professora emérita do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia tem obra marcada por um pensamento que visa romper com as assimetrias sociais. 

Mulheres, raça e classe

A escritora e ativista bell hooks durante palestra em 2014, nos EUA Foto: Shea Carmen Swan/ Editora Elefante

O nome da escritora e ativista americana se escreve assim mesmo, com letras minúsculas e já diz muito sobre a autora americana que é uma das maiores autoridades para a compreensão de questões da atualidade. hooks  é uma das principais defensoras do fim de diversas formas de opressão, como o patriarcado e o racismo e sua abordagem é sempre feita de maneira direta, sensível e inteligente. 

Tudo Sobre o Amor

A escritora e artista visual portuguesa Grada Kilomba Foto: Zé de Paiva

Com raízes em São Tomé e Príncipe e Angola, a escritora e psicóloga portuguesa Grada Kilomba tem como foco em sua obra literária examinar a memória, os traumas e o racismo no pós-colonialismo. Seu livro Memórias da Plantação traz uma série de episódios cotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Publicado originalmente em inglês, em 2008, o livro tornou-se uma importante contribuição para o discurso acadêmico internacional.

Memórias da Plantação

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie Foto: Rolf Vennenbernd/Pool via Reuters

Para além de sua obra acadêmica, a autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie se tornou mundialmente conhecida por seus romances Hibisco Roxo, Meio Sol Amarelo e Americanah. Chimanda saiu da Nigéria para os Estados Unidos onde ingressou na Universidade de Drexel, e fez mestrados em escrita criativa pela Universidade Johns Hopkins e estudos africanos pela Universidade de  Yale.

Hibisco Roxo 

O escritor Silvio de Almeida Foto: Márcio Fernandes/ Estadão

Filósofo, advogado tributarista e professor universitário, com especializações em Direito Político e Econômico e Teoria Geral do Direito, Silvio de Almeida estuda as relações raciais no Brasil e seu livro Racismo Estrutural foi um marco na literatura antirracista do País. 

Racismo Estrutural 

A escritora e jornalista Bianca Santana Foto: Iara Morselli / Estadão

A escritora e jornalista Bianca Santana desponta como uma importante autora dessa nova geração na temática do racismo. Bianca é diretora-executiva da Casa Sueli Carneiro e biógrafa da filósofa ativista. Doutora em ciência da informação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo com a tese “A escrita de si de mulheres negras: memória e resistência ao racismo”, que recebeu o Prêmio Tese Destaque USP- 10ª Edição. 

Continuo preta: a vida de Sueli Carneiro 

O escritor Jeferson Tenório Foto: Carlos Macedo

Carioca radicado em Porto Alegre, Jeferson Tenório, é doutorando em teoria literária pela PUCRS. Sua obra O avesso da pele é vencedora do Prêmio Jabuti 2021.

O Avesso da Pele

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Fonte: O Estadão

Curadoria: Prato de Cerejas

Uma travessia entre ruínas, consciência e encontro

A narrativa se passa num século que se estende até o ano 2100, quando a Terra se aproxima de um colapso definitivo — fruto de pandemias, tragédias climáticas e um modelo civilizatório que, em sua ânsia de progresso, devastou os próprios alicerces que sustentavam a vida humana.

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Eu “odeio” Chico Buarque de Holanda

Cerca de 99,9% dos brasileiros são aficcionados pelas canções do cantor e compositor Chico Buarque há décadas. Po isso, quando alguém ousa dizer que o “odeia”, no título de um livro, isso pode soar até ofensivo, mesmo que esse ódio venha entre aspas. A força de Eu “Odeio” Chico Buarque de Holanda”, de Fernando Mundim Veloso, já começa, portanto no seu próprio título, que nos arranca da cadeira ou de onde estivermos, para pegá-lo nas mãos e entender, melhor, do que se trata.

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O que acharam do livro

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